quinta-feira, 21 de abril de 2016

Quando acho que me curei. Quando acho que finalmente posso tirar os curativos, abrir as cortinas, abrir os portões... Quando estou quase vendo a luz do dia, quase... de repente me curvo com a dor, perco a respiração e a escuridão fica tão sombria... Tento voltar para a segurança do meu castelo, tateando o ar procurando me encontrar nesse breu que desceu sobre meu mundo. E como se tudo já não fosse assustador, aquela pergunta ecoa como um grito na minha cabeça: "- POR QUE????"


Passei um bom tempo sem escrever, tentando não escrever... Como escrevo mais quando não estou bem, escrever estava sendo sinônimo de me entregar à tristeza. Então, toda vez que a vontade vinha, eu a reprimia. Escrever significaria fraqueza. Mas quando eu não consegui mais aguentar, quando as palavras jorraram respingando todo o papel ansiosas por finalmente saírem, eu entendi o quanto eu estava equivocada, estava totalmente enganada... Escrever não é minha fraqueza, escrever é minha fortaleza. As palavras são os alicerces que ainda me mantém em pé.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Escrever sobre você...

 Desde os 9 anos de idade escrever sobre você me trouxe alívio. Qualquer oportunidade (de criar frases ou redações) na escola, eu usava e tentava de alguma forma encaixar você. Sei que aos olhos das minhas professoras aquilo não era saudável, meu pai foi chamado à escola e tentaram fazer eu parar de escrever tanto sobre sua história, nossa história, minha saudade. Hoje já se passaram quase 20 anos e continuo aqui, escrevendo sobre você.
Acredito que usar as palavras foi a forma de extravasar meus sentimentos em relação à sua perda, já que guardei apenas para mim e nunca deixei que percebessem o quanto sua falta estava me estraçalhando por dentro. As palavras me ajudaram a formar e organizar as perguntas que voavam embaralhadas e sem controle na minha cabeça. Por mais que eu ainda não tenha as respostas, organizar as perguntas tirou um pouquinho, só um pouquinho, do peso no meu coração.
As palavras me ajudaram e ainda me ajudam a colocar para fora aquilo que me sufoca, ajudam a anestesiar um pouco as feridas que ainda estão tão inflamadas.
As palavras não são apenas meu escape. É minha forma de me comunicar com você. É a anestesia mais eficaz. É o bálsamo para os dias que os meus caquinhos estão me arranhando, me fazendo sangrar e me ferindo ainda mais.
As palavras ainda são minhas melhores aliadas. Ainda são minha ponte até você. Ainda são as riquezas e o poder que não abro mão. Que nunca vou abrir mão.